06/02/2010

Da ignorância.

Cheguei agora há pouco do show da Zélia Duncan no SESC Pinheiros. O show foi ótimo. As músicas do álbum “Pelo Sabor do Gesto” são lindas, apesar de gostar das antigas que ela tocou no bis : ”Alma” e ”Catedral”. Mas o melhor foi ouvir ela dizer – aparentemente de maneira espontânea – que adora quando alguém a tira da ignorância e que isso acontece praticamente de meia em meia hora. Aí pensei comigo: ”Também adoro isso, que maneira interessante ela encontrou pra dizer…”. Mal sabia eu que, dalí mais ou menos uma hora, alguém me faria um pouco menos ignorante sem ter me olhado nos olhos e sem ter falado comigo.

Logo no começo do show reparei na entrada de uma espectadora cadeirante. Fiquei feliz por vê-la, sinal que o local possui acessibilidade. Confesso que durante o show não conferi se ela continuava lá. Mas no final ela não passou desapercebida: Já na última música do show (“Nem Tudo”) a platéia se levantou, ocupando de pé toda a beira do palco. As pessoas cantavam junto, pulavam, tiravam fotos, gritaram com a presença do Tom Zé… muito bom poder curtir alí de pertinho. Mas eis que, antes que o bis terminasse, me virei para trás e pude enxergar, próxima a mim, a cadeirante que tinha visto no início. Alí estava ela, sentada na cadeira de rodas, no espaço destinado a deficientes físicos, logo atrás das pessoas que tinham se levantado. Ela não tinha visibilidade do palco. Não podia ver a expressão da cantora nem mesmo a arte dos músicos. Ela tinha a imagem clara de pessoas que não sabem como é ter mobilidade reuzida, como é ocupar o espaço destinado a deficiente físico.

Me senti mal por fazer parte do grupo das pessoas ‘de pé’. Parece exagero, mas me senti uma ameba mesmo, uma ignorante. Querendo ou não eu tava atrapalhando a moça, e na tentativa de representar um ‘desculpe-me’ , me esquivei, saí da frente e tentei não ficar no campo de visão dela. Eu sei que no fundo não deve ter feito muita diferença, ainda tinha um monte de gente de pé. Mas ela fez diferença pra mim. Como diria a própria Zélia Duncan, ”me tirou da ignorância” por me fazer perceber outra situação do cadeirante, por pensar que isso deve acontecer com mais frequência do que eu imagino, essas coisas…

Confesso que faltou coragem para que eu me dirigisse até a moça e pedisse desculpa, dizer que eu sou ignorante mesmo, mas vou aprendendo algumas coisas e tentando me fazer menos ignorante a cada oportunidade. Ela acabou indo embora e eu também fui, sem dizer nada. Por conta disso, tento expor aqui o que presenciei.

É tudo uma questão de ver e verdadeiramente enxergar. Perceber uma oportunidade e aproveitá-la. Ainda me sinto mal pelo que, em pequenas proporções, ajudei a causar.

Moça, me desculpa do fundo do coração e obrigada pelo que me causou em mim.

Boa noite.

04/02/2010

Chegar lá.

Se eu disser que é fácil, estarei mentindo. Se eu disser que é possível, serei sincera porque tem um monte de gente na faculdade pra provar isso, oras. Mas é difícil. Quem já viveu sabe: precisa de dedicação, paciência, esforço, determinação. É preciso estar disposto a suar a camisa mil vezes antes de ganhar o troféu de campeão, disposto a passar pela ”estrada de fazer o sonho acontecer”, essa é a real.

Como disse em post anterior, 2009 foi puxado e foi corrido. Nos primeiros seis meses eram horas trancada no quarto me exercitando da maneira mais sedentária que existe: sentada. Sedentária só fisicamente, ok. Nos últimos seis meses a correria foi maior: Aula até as 13h20, 14h00 vai pro plantão, alguns dias extende até as 16h30, hora que eu saía do colégio e me mandava pro ETAPA. Sala de estudos até as 18h30. Pára, come, pensa que o japa que estava do seu lado estudando não parou pra comer e portanto ele vai pegar sua vaga, pensa que você não estudou nada hoje, pensa que tá fazendo pouco e que com tudo isso corre o risco de ter que fazer cursinho no ano seguinte, vai pra aula as 19h10 e ‘’se liberta” as 22h15. É, quinze horas fora de casa e as outras nove você não passa dormindo, não mesmo. O sono durava no máximo seis horas: pouco pra mente cansada, muito pra mente determinada e cabeça dura. Com tudo isso, não foram poucas as vezes que eu ouvi: “Sociais é fácil, você não precisa estudar tanto”.  Mesmo assim, não me convenceram a diminuir o ritmo, fazer menos e descansar mais. Não faria nada diferente. Não trocaria as poucas horas de descanso por mais horas de estudo e não trocaria as muitas horas de estudo por mais horas de descanso. Os resultados me mostram que foi do jeito certo.

A PUC veio, a USP veio e eu vou ficar com a PUC. Eu sei que tem muita gente que não entende. Paciência, as vezes é coisa que vai além do entendimento. Eu busco o meu lugar e sinto que é lá, é isso. Tenho outros tantos motivos. Mas esse é de grande relevância.

E não posso encerrar sem antes dizer que a vaga é uma só, mas outras pessoas a ocupam junto comigo. Não passei sozinha: passei com o apoio de gente querida e especial, gente que faz a diferença, amigos verdadeiros que sempre me deram força, acreditaram em mim e  souberam proferir palavras certas nas horas certas. A eles, minha eterna gratidão. Não teria conseguido sem essas pessoas ao meu lado. Aquele obrigada que não se ouve soletrado, mas se sente no abraço, no olhar, no carinho.

Cheguei lá e o começo está só por vir!

Até mais =)

11/01/2010

Blogar

Pra muita gente não parece, mas blogar é uma coisa extremamente difícil. É muito fácil criar um login, uma senha, um domínio, e criar um site esteticamente bonito. Mas fazer com que tudo isso tenha conteúdo, é bem copmplicado. Falo por experiência própria. Há tempos tento ter um blog (este não é o primeiro). Ou melhor sempre tive, mas eles nunca tiveram grande significado… exatamente por não conseguir ser clara no conteúdo que eles suportavam. Esse aqui é mais uma tentativa. Acredito ter sido bem sucedida nos primeiros posts e tenho absoluta certeza que fui total #fail nos últimos posts.

Por que #fail ? É difícil assumir a posição de que você vai se expor. Se as pessoas decidem ler o blog de fulano de tal, é porque elas querem saber o que fulano de tal pensa, oras. Lógico, não? E eu fui muito infeliz ao assumir a posição de me expor por não conseguir fazê-lo com minhas palavras. Eu mesma me decepcionava com a idéia de que alguém se dirige ao endereço www.travelerthought.wordpress.com achando que vai encontrar as coisas que eu escrevo. Aqui, encontraria aquilo que pode ser um item de busca do google. Idéias, fotos, pensamentos, citações… Apenas selecionadas por mim. Às vezes achando que eu não daria conta do recado, às vezes não tendo vontade de me expor e me questionando insistentemente: Por que eu estou escrevendo isso, raios? Tudo isso e mais um pouco me deteve de rabiscar aqui o que minha mente caraminholava . Agora eu estou bem afim de mudar o rumo desse blog (que, convenhamos, já está no insucesso, no fail, no lixo e mais um pouco o wordpress tirava do ar de tão ruim!)

Como prova de transformação, esse post, inteiramente escrito por mim. =D Eu não era tão ruim assim no começo, tijuro. Vamos ao que interessa:

1) Acho que posso dar conta do recado. Transformar em palavras o que eu penso, enxergo e sinto é um bom exercício para a mente.

2) Não interessa o que eu fale. O importante aqui é falar. Mas relaxa que eu não vou chutar o pau da barraca e falar asneira atrás de asneira. Filter, please! Asneira é só de vez em quando.

3) Por que eu estou escrevendo? Man, a história é longa, mas eu redescobri o por quê. Em algumas (desculpe, muitas) palavras: Quando eu era pequena, não gostava de ler nem de escrever. Dois anos se passaram e minha mãe descobriu que eu tinha sérios problemas com Português, principalmente com ortografia. Não gostava de ler, portanto não conhecia as palavras direito. Errava a escrita de tudo mesmo quando copiava da lousa. Era uma tristeza. Além disso, não tinha a menor criatividade para redações uma vez que… eu não lia. Sete anos de muito esforço e dedicação : todas as segundas e quintas na aula do Kumon tentando recuperar uma falha na alfabetização. Valeu a pena. Não gosto nem de pensar em como tudo teria sido se minha mãe não tivesse me olhado e enxergado uma dificuldade. Nesses sete anos: aprendi a ortografia das palavras, treinei caligrafia, li inúmeros textos (alguns deles extremamente difíceis para uma criança de sexta série, por exemplo, os de Dante Alighieri), aprendi a fazer redações sem tremer as pernas e… desenvolvi o incrível gosto pela leitura, não sabendo sair de casa sem um livro. Então hoje eu escrevo, simples assim.

Escrevo quando estou contente, quando estou triste, quando estou emocionada ou quando sinto um vazio.  Com  raiva/ódio/fúria ou com amor no coração. Quando crio, recrio, quando descubro e redescubro. Quando quero.

Nada mal pra quem não blogava de verdade há um belo tempo.

Já escrevi. Agora vou ler.

Boa noite e… até a próxima.

07/01/2010

Por não saber dizer com minhas palavras

” Vai passar, tu sabes que vai passar. Talvez não amanhã, mas dentro de uma semana, um mês ou dois, quem sabe? O verão está aí, haverá sol quase todos os dias, e sempre resta essa coisa chamada ‘impulso vital’. Pois esse impulso ás vezes cruel, porque não permite que nenhuma dor insista por muito tempo, te empurrará quem sabe para o sol, para o mar, para uma nova estrada qualquer e, de repente, no meio de uma frase ou de um movimento te surpreenderás pensando algo assim como ‘estou contente outra vez ”  (Caio Fernando Abreu Metâmeros)

”Mas se eu tivesse ficado, teria sido diferente? Melhor interromper o processo em meio: quando se conhece o fim, quando se sabe que doerá muito mais — por que ir em frente? Não há sentido: melhor escapar deixando uma lembrança qualquer, lenço esquecido numa gaveta, camisa jogada na cadeira, uma fotografia — qualquer coisa que depois de muito tempo a gente possa olhar e sorrir, mesmo sem saber por quê. Melhor do que não sobrar nada, e que esse nada seja áspero como um tempo perdido” (Caio Fernando Abreu)

04/01/2010

Estudar para alcançar sucesso profissional ou estudar para ser feliz?

Por Roseli Martins Coelho

O sociólogo inglês T.H. Marshall, autor do primeiro livro sobre o tema da cidadania, – CLASSE SOCIAL, STATUS E CIDADANIA, de 1949 – demonstra como os diretos que compõem a cidadania foram nascendo e se firmando ao longo de três séculos: os direitos civis no Século XVIII, os direitos políticos no Século XIX e os direitos sociais no Século XX.

Diferentemente do adulto que pode e deve exercer seus direitos – direito de votar, de expressar opiniões, de ir e vir, de se filiar a associações ou de escolher uma profissão – a criança tem o “direito de ser obrigada a estudar”. Evidentemente, a criança não sabe que tem esse direito, e cabe a seus responsáveis – ou ao Estado – garantir que ela seja obrigada a estudar. Pode-se dizer, numa analogia, que jovens que estão concluindo o ensino médio tem o direito de serem incentivados a continuar estudando.

É exatamente esse o objetivo central deste texto, elaborado para reforçar a energia intelectual dos alunos que em breve irão enfrentar o desafio da escolha de uma faculdade e de uma carreira profissional. De início, convém enfrentar uma questão terrível: por que os jovens – salvo exceções – não gostam de estudar? Sabemos que existem milhares de razões individuais e/ou familiares, como falta de tempo, ambiente familiar tumultuado, falta de dinheiro, problemas de saúde, entre tantos outros. Porém, existe uma explicação geral para essa ausência de gosto pelos estudos, qual seja, jovens – e adultos também! – não gostam de estudar porque não aprendemos a tirar prazer do ato de adquirir conhecimento. Desde cedo somos levados a acreditar que a felicidade mora lá fora, na praia, no sol, no carnaval, no futebol ou na balada noturna. Estudar, por sua vez, é encarado como um pesado fardo do qual precisamos nos livrar o mais rápido possível.

Na origem dessa percepção está um outro problema que merece ser abordado, que é a ausência de incentivo para a busca do conhecimento. O incentivo dado pelo professor em sala de aula é, evidentemente, imprescindível, mas é igualmente importante o incentivo que vem de conversas com familiares e amigos. Uma vez que entre nós, brasileiros, é pouco difundido o hábito de conversar sobre “assuntos da escola”, os temas analisados em sala de aula costumam permanecer restritos àquele ambiente. Embora alguns campos do conhecimento não sejam adequados para conversas entre amigos, – como geometria, química ou matemática – felizmente boa parte da matéria dos livros e das aulas é constituída de temas que fazem parte de nosso cotidiano, embora não estabeleçamos articulações entre os conteúdos da História, da Geografia ou da Literatura, por exemplo. É a nossa vida concreta. Tudo se passa como se apenas falar sobre futebol ou sobre novelas de televisão fosse “natural”, e não nos damos conta de que dominamos porções de conhecimento específico sobre cada um desses temas, sem o que não haveria área comum para o desenvolvimento da conversa. Da mesma forma como cada um de nós temos um quantum razoável de conhecimento sobre a historia do Brasil, mas dificilmente alguém toma a iniciativa de conversar, por exemplo, sobre a escravidão, ou sobre a economia cafeeira paulista.

Aproximadamente metade dos alunos que estão se preparando para ingressar na faculdade irá escolher cursos das áreas de exatas ou biológicas. No entanto, a área de humanidades tem uma propriedade que deve ser aproveitada por todos os alunos, sejam eles futuros historiadores ou futuros engenheiros: a ênfase na linguagem, tanto no que diz respeito à pratica de redação, quanto na tarefa de ler e interpretar o texto escrito. Esse foco das disciplinas da área de humanidades deve ser aproveitado por todos os alunos, não apenas porque a redação tem peso decisivo nos exames de acesso às faculdades de um modo geral, ou porque sem desenvoltura na leitura e na interpretação ninguém é capaz de compreender os enunciados de questões de matemática, física, ou de quaisquer outras disciplinas. Mas, sobretudo, porque a linguagem é instrumento de desenvolvimento da consciência e do raciocínio. Além disso, a linguagem é o plasma da vida em sociedade, e todas as profissões são exercidas nos marcos da sociedade, com suas conquistas e suas injustiças.

Aqui entra o papel da Literatura. É preciso dizer com todas as letras que ignorar a tradição literária de um povo tem conseqüências deletérias, pois não é possível formar um bom químico, por exemplo, sem uma dose de Machado de Assis. A literatura não apenas expressa quem somos nós, povo brasileiro, como situa os traços de personalidade de cada um de nós – e dos personagens – numa chave universal de humanidade. Um dos mais brilhantes intelectuais que o Brasil já produziu, Antonio Candido, no texto “Direito à Literatura”, enfatiza um mérito da Literatura que geralmente passa despercebido: a obra literária é um fator de ajuda na organização de nossos pensamentos e de nossos sentimentos.

Uma vez que o texto literário nos ajuda na compreensão da sociedade e aprofunda nosso entendimento das relações pessoais, a convivência com as obras literárias pode ser importante instrumento na conquista da “inteligência emocional”, uma das características pessoais mais valorizadas pelo mercado de trabalho, que nada mais é do que a capacidade de conviver com pessoas diferentes e de absorver decepções de modo civilizado e não auto-destrutivo. A obra literária pode ser uma aliada importante para o profissional de nossos dias, que não pode cogitar parar de estudar, porque a Literatura mantém a mente preparada para a inclusão de novos conhecimentos, pois “ela nos organiza, nos liberta dos caos e nos humaniza”, para usar as palavras de Antonio Candido.

Apesar de toda apologia que se possa fazer à ampliação do conhecimento, basta observar a realidade para saber que estudar não garante automaticamente um futuro profissional maravilhoso. Porém, todo mundo da área da educação sabe que há uma relação direta entre escolaridade e nível de renda, conforme já foi comprovado por diversas pesquisas. Independentemente da profissão, o salário – ou a renda, caso se torne um profissional liberal ou um empresário – estará relacionado ao número de anos passados na escola e, é claro, aos cursos de fato concluídos. Essa relação entre escolaridade e renda é verificável até mesmo entre trabalhadores de ocupações idênticas: um caixa de banco que estudou 18 anos ganha mais do que um colega que estudou 16 anos. Entre profissionais que concluíram o ensino superior está igualmente presente essa tendência: um médico que, depois de formado, fez cursos de especialização tem renda mais alta do que um colega que parou de estudar quando recebeu o diploma. Não por acaso, a reputação de “médico de ricos” – equivalente, é claro, à reputação de excelente médico – é construída a partir de títulos obtidos formalmente na universidade, como mestrado ou doutorado. Além da renda propriamente dita, quase todas as realizações que podem ser extraídas de uma carreira profissional dependem da quantidade de anos investidos nos estudos e dos diplomas obtidos. Que fique claro, portanto, que sem educação formal não existe possibilidade de sucesso profissional.

Resta tentar responder à segunda parte da pergunta que relaciona estudo e felicidade. O processo de ampliação do conhecimento habilita cada um a enxergar o mundo e a si próprio com olhos críticos, pois fornece subsídios para a análise apurada das relações sociais que determinam o lugar de cada indivíduo na sociedade. A compreensão dos diversos fatores que compõem a estrutura social permite que o jovem do ensino médio – ou de qualquer estágio da escolarização – se situe de maneira realista diante de uma das perversidades da sociedade contemporânea, que é a integração social pelo consumo. Como a ditadura do consumo nunca pode ser plenamente satisfeita – há sempre um celular novo, um tênis mais bonito ou outro objeto de consumo – a frustração constante pode levar à diminuição da auto-estima e à erosão de relações sociais e familiares. A ampliação do conhecimento facilita a tarefa de desmontar as armadilhas do consumismo, tarefa essa da qual ninguém está liberado, nem mesmo os muito ricos, como fica evidente nos exemplos de milionários que perderam tudo.

O posicionamento crítico diante da realidade social não significa diminuir a capacidade de sonhar. Os sonhos – de realização profissional, de bem-estar material, ou de felicidade afetiva – são o ponto de partido necessário de um projeto a ser perseguido. É claro que esse duplo exercício mental – um olho na realidade e um olho nos projetos de vida – é constantemente submetido a provações de toda ordem. De um lado, os supostos exemplos de jovens que se tornaram muito ricos com o futebol ou com a música, por exemplo. De outro, as dificuldades concretas vivenciadas pelos jovens e suas famílias, e que muitas vezes são motivos reais de abandono ou de adiamento de projetos. Entretanto, o desenvolvimento pessoal, resultado da ampliação do conhecimento, poderá assegurar a capacidade de se manter, de modo realista, na perspectiva da construção de um projeto profissional.

Para encerrar com o mesmo autor, T.H. Marshall define a cidadania como um “conjunto formidável de direitos”, no qual está o “direito de participar, por completo, na herança social e levar a vida de um ser civilizado de acordo com os padrões que prevalecem na sociedade”. E os padrões que prevalecem na sociedade, sabemos todos, são aqueles de valorização absoluta do conhecimento. Quem esta impedido de participar da herança social devido a insuficiências da formação profissional não pode conquistar a felicidade. Em outros termos, estudar é imprescindível para ser feliz.

04/01/2010

2010.

Virei o ano de 2009 pensando: É esse o ano em que eu passo no vestibular. E aconteceu. A ideia não saiu da cabeça um segundo durante todo o ano.  2009 deu trabalho, foi difícil, foi corrido. Nem por isso deixou de ser um ano maravilhoso, com muita curtição, com muita coisa mudando e …. com grandes conquistas. É uma sensação maravilhosa de dever cumprido, de realização. Parece não caber dentro do peito de tão grande. Passei na faculdade que eu queria, na melhor pra mim, na melhor do meu curso (que também é o melhor do mundo :D ). Não poderia estar mais feliz com isso.

2009 foi o ano que eu terminei o terceiro colegial. Terminei do melhor jeito que poderia terminar… feliz. Mais uma vez, sensação de dever cumprido. Mission acomplished. 14 anos na mesma escola, em busca de uma formação humanitária para a qual não existe cursinho: lá eu consegui. Uma história. Marcaram e marcam amigos, colegas, professores, funcionários, paredes, carteiras, armários, eventos, acontecimentos, tudo.

Se em 2009 eu passei no vestibular e terminei o terceiro colegial, em 2010, eu começo a faculdade. Ansiosa? Sim. Feliz? Muito. Amanhã é dia de matrícula. Isso significa pisar na PUC pela primeira vez como Filha da PUC. #Arrepios. #Emocionante . Mal posso esperar =D

Agora é deixar 2010 correr. 4 dias já se passaram. Duas das três provas da fuvest da segunda fase já foram. Mas elas não me preocupam mais. Já estou onde eu quero e… é isso o que realmente importa.

Vem ni mim, 2010! Vem ni mim que eu vou estar na PUC, feliz da vida, estudando aquilo que mais me encanta: as Ciências Sociais.

20/12/2009

Testes bestas –’

QUAL PERSONALIDADE HISTÓRICA VOCÊ É?

you got… René Descartes

filósofo, maconheiro, viajandão, nada-a-ver, largadão, mendigo, cabeça de piolho, cara de quem cheira cocô. todos esses nomes se encaixam em você. você adora irritar os outros tentando se aprofundar em assuntos que ninguém quer saber. tudo bem, você é um filósofo iluminista respeitado, MAS OW, PÁRA DE PENSAR SOBRE TUDO AO MESMO TEMPO. agente sabe que você pensou que um dia nos perguntaríamos se é verdade que existimos, e se existimos, como saberíamos se somos auto-suficientes ou se somos comandados por uma máquina, e que na realidade, a única coisa que nos salva de não sermos mentira, é a maior verdade de todas, que você reuniu em uma frase: PENSO, LOGO EXISTO. – se você entendeu o texto até aqui, você REALMENTE se parece com o Descartes.

17/12/2009

Hoje foi o dia de limpeza MASTER dentro desse quarto. Incrível como é possível acumular coisas em 6 meses. Incrível como é possível acumular pó em UMA hora. A lixeira está cheia. A sacola de doações também. To me sentindo muito limpinha, boa sensação. E antes que vire piada, eu tomo banho todos os dias, ok?

Fazia bastante tempo que eu não via minha mesa de estudos tão organizada, tão vazia… Aquelas ‘discretas’ e ‘pequenas’ apostilas do ETAPA já não ficam rodando de um lado pro outro. A papelada está nas gavetas e em algumas pastas. Não me desfiz dos materiais desse ano. Também não vou me desfazer. Mas confesso que ainda não houve uma real organização dos mesmos. Só posso dizer que as coisas não estão mais aparentes, não circulam tanto, e estão atenuadas esperando a estagnação do uso que há de acontecer após dia 22 de dezembro de 200E NOVE. Assim seja, Amém.

15/12/2009

– — –

a lentidão do meu computador me irrita profundamente. precisamos de ‘um pouco mais de paciência’ (♫) ou isso só quer dizer que eu queria que as coisas funcionassem the way they supposed to ? acho que no fundo todo mundo quer isso. isso pode ser um pensamento de diferentes proporções. já pensou? posso me referir ao computador, posso me referir ao trânsito, à política, ao relacionamento entre as pessoas, ao transporte público e a mais quantas coisas eu quiser. é só um desejo: funcionar do jeito que deveria. talvez seja a velha história de não valorizar quando está tudo bem. então quando é que vamos aprender a prestar atenção em absolutamente tudo o que nos rodeia? desde a sola do seu sapato que  não está furada (se estivesse furada vc logo perceberia) até nosso nariz que está respirando direitinho (se vc estivesse resfriado lembraria do nariz a todo instante). talvez tudo isso seja somente uma viagem em uma mente parcialmente desocupada às duas horas da madrugada. mas talvez seja a realidade. enquanto isso meu computador continua a me irritar com a lentidão e com o barulho nada agradável da ventilação da cpu. sim, tenho um desktop.

fiquei pensando porque aquele livro que ‘caiu de pára quedas’ fez tanto sentido sem ter feito o menor sentido. pq ele veio fazer parte da minha leitura de férias anyways, se o que eu venho desejando ler é algo um tanto diferente? peloamordeDeus isso não quer dizer que eu não queira saber dos livros ‘da lista’. pelo contrário, eu dei logo conta de ler o tal livro voando para logo pegar a turma dos ‘queridinhos’.  mas, como eu disse anteiormente, fez muito sentido sem ter feito o menor sentido. impressionante! de grande valia foi a parte menos relevante da história toda. fiz do enredo principal o enredo secundário, pelo menos por enquanto. uma vez que o enredo principal tinha muita política, foi sim muito interessante… mas por se tratar de uma ficção, foi meio irritante. não dava pra levar a sério certas ideologias inventadas no ano de 1930 (maomeno) a respeito do ano 2228 nos EUA. isso foi difícil. mas minha argumentação quanto a isso ainda é fraca. as aulas de ciência política ainda não começaram, é uma pena.

uma história do ano 2228 me fez lembrar do filme 2012. não gostei daquele filme, sinceramente. só as personagens principais são inteligentes, ágeis, fortes e espertas. ah, vá. e o fulando ainda me sai de dentro de uma fenda na crosta terrestre? a mesma fenda que engole um prédio? ah, vá (x2). tá, chega de falar mal dos yakees. não falo mal por esporte, mas fala sério, tem umas coisas que ninguém precisa, num é?

chega de pensamentos doidos e descabidos durante a madrugada.

p.s. pensei em acabar com o pacote de bolacha que eu abri as 16h30 da tarde. mas aí ia ficar com uma sensação de comi tudo no mesmo dia. chega de bolachas por hoje. vamos deixá-las para o café da manhã.

03/12/2009

From ‘O Presidente Negro’

(…) Mas o professor Benson cortou-me as vasas.

- Não refletiu nunca, meu caro senhor Ayrton, na oportunidade do silêncio? O silêncio é sábio, é uma das mais altas formas de sabedoria. Foi silenciando que Jesus deu ao ”Que é a verdade?” de Pilatos a única resposta acertada…

(…)

O Presidente Negro de Monteiro Lobato, página 44. Ed. Globo.